Angola reforça integração nos mercados internacionais após crise de 2014

Angola reforça integração nos mercados internacionais após crise de 2014

Angola tem vindo a registar sinais consistentes de recuperação e reintegração nos mercados financeiros internacionais, após o período de crise iniciado em 2014, marcado pela queda acentuada do preço do petróleo e pela consequente deterioração dos principais indicadores macroeconómicos. A análise foi publicada pelo jornal Expansão, em Abril de 2026.

De acordo com o artigo, um dos momentos mais críticos ocorreu em Dezembro de 2015, quando o país perdeu o acesso directo ao sistema internacional de compensação em dólares norte-americanos, na sequência da cessação de relações de correspondência por parte de bancos internacionais, motivada por factores como o reforço das exigências regulamentares, o aumento do escrutínio em matéria de prevenção do branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, bem como a percepção de Angola como jurisdição de risco elevado.

Nos anos mais recentes, contudo, verificou-se uma inversão desta tendência, com destaque para o restabelecimento das relações de correspondência bancária. Em Outubro de 2025, o banco J.P. Morgan retomou serviços de compensação em dólares (dollar clearing) em Angola, seguido pelo Deutsche Bank, que voltou a estabelecer relações com instituições financeiras angolanas, permitindo o regresso ao circuito internacional de liquidação em moeda estrangeira.

O artigo sublinha ainda que esta evolução representa não apenas uma melhoria operacional, reduzindo custos e constrangimentos no comércio externo, mas também um sinal relevante de reforço institucional e de maior alinhamento com os padrões internacionais de supervisão e governação financeira.

Adicionalmente, são evidenciados sinais positivos ao nível dos mercados de capitais, nomeadamente a redução das yields da dívida soberana angolana, reflectindo uma melhoria da percepção de risco por parte dos investidores internacionais.

Não obstante os progressos, o artigo alerta para a persistência de vulnerabilidades estruturais, em particular a forte dependência do sector petrolífero, a exposição a choques externos e a necessidade de aprofundamento de reformas económicas e institucionais para garantir uma integração sustentável e resiliente nos mercados internacionais.