A capital da Etiópia, Addis Ababa, foi palco de um seminário internacional dedicado ao combate ao financiamento do terrorismo e ao crime organizado, reunindo representantes governamentais, instituições de segurança, especialistas internacionais e parceiros regionais com o objectivo de fortalecer a cooperação interinstitucional e partilhar boas práticas na prevenção desses fenómenos. Conforme noticiado pela agência AL24News, o encontro enfatizou a importância de abordagens coordenadas entre países africanos, organizações regionais e organismos internacionais para enfrentar os desafios crescentes associados à mobilização ilícita de recursos que sustentam actividades terroristas e redes criminosas transnacionais.
Os oradores destacaram que o financiamento do terrorismo e o crime organizado representam ameaças multifacetadas, alimentadas por fluxos financeiros ilícitos que cruzam fronteiras, e que requerem respostas integradas capazes de abranger desde a supervisão financeira e deter a utilização indevida de sistemas bancários e não bancários, até ao reforço de capacidades das unidades de inteligência financeira, mecanismos de cooperação jurídica mútua e políticas públicas de mitigação de risco. O seminário também realçou a necessidade de fortalecer os sistemas legislativos e operacionais nos países africanos, promovendo maior harmonização com os padrões internacionais de PC-BC/FT e facilitando a troca de informações entre autoridades competentes para rastrear e interromper cadeias de financiamento ilícito.
Entre os temas abordados esteve a criminalização eficaz do financiamento de terroristas, a prevenção da infiltração de activos ilícitos no sistema financeiro formal, a identificação de riscos emergentes relacionados com métodos sofisticados de transferência de fundos (incluindo plataformas digitais e criptomoedas), e a importância de capacitação técnica para operadores jurídicos, policiais e supervisores financeiros. Os participantes reforçaram que mecanismos preventivos, como avaliações nacionais de risco, regimes robustos de reporte de transacções suspeitas, e estruturas de cooperação regional, são essenciais para a eficácia das respostas nacionais e continentais.
O seminário é visto como parte de um esforço mais amplo da União Africana e dos seus Estados-membros para aprimorar as capacidades de prevenção e repressão de crimes financeiros graves, alinhar as legislações domésticas com as melhores práticas internacionais e promover uma vigilância mais rigorosa contra as actividades que facilitam a circulação de fundos ilícitos. Os organizadores destacaram a importância de prosseguir o diálogo técnico e político entre nações, reconhecendo que respostas fragmentadas dificilmente serão suficientes para enfrentar redes complexas de financiamento criminoso que operam em múltiplas jurisdições.
