Conforme noticiado pelo Novo Jornal, teve início no dia 6 de Outubro de 2025, no Tribunal da Comarca de Luanda, o julgamento de uma rede criminosa composta por 35 arguidos, 23 angolanos, 11 chineses e 1 ugandês, acusada de transformar o Hotel Diamond Black, localizado no bairro Benfica, em um centro de operações de fraude digital, jogos online ilícitos e extorsão.
O início do julgamento havia sido adiado em Setembro por falta de intérprete de mandarim para os 11 arguidos chineses, situação posteriormente suprida com o apoio do Ministério das Relações Exteriores (MIREX) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), permitindo a retomada regular dos trabalhos.
Segundo a acusação do Ministério Público, o grupo dirigia as suas acções sobretudo a cidadãos do Brasil e de Portugal, utilizando esquemas de phishing e falsas plataformas de apostas, entre as quais se destaca a LNBet, prometendo bónus e ganhos rápidos. No interior do hotel, os arguidos operavam a partir de várias salas equipadas com tecnologia avançada, recorrendo inclusive ao uso de inteligência artificial para manipular imagens e rostos em vídeo chamadas, de forma a aumentar a eficácia das fraudes, principalmente junto de utilizadores portugueses contactados via redes sociais.
Entre os crimes imputados figuram a prática ilícita de jogos, coacção à prática de jogo, jogo fraudulento, falsidade informática, associação criminosa, branqueamento de capitais, retenção de moeda, fraude fiscal qualificada e obstrução à justiça.
O Hotel Diamond Black, situado na urbanização Kifica, terá funcionado como quartel operativo das manobras ilícitas, envolvendo a recolha e a utilização indevida de dados pessoais e financeiros das vítimas, com ramificações internacionais e transferências suspeitas de capitais entre Angola, China e Brasil. O caso é considerado um dos maiores processos recentes de criminalidade económico-digital em Angola, e coloca em evidência os riscos emergentes associados à convergência entre fraude online, branqueamento de capitais e tecnologias de inteligência artificial, exigindo reforço das capacidades de investigação e cooperação internacional.
