De acordo com a informação divulgada pelo Observador, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) revelou que, entre 2017 e 2024, foram movimentados aproximadamente 7 milhões de dólares norte-americanos, o equivalente a 5,9 milhões de euros, associados ao financiamento do terrorismo. As transacções identificadas envolveram depósitos em numerário, levantamentos e transferências fraccionadas, um método utilizado para ocultar a origem e o destino dos fundos ilícitos.
De acordo com o relatório divulgado pelo GIFiM, as operações suspeitas envolveram pessoas e entidades com ligações a líderes terroristas, com o objectivo de financiar actividades de recrutamento, logística e apoio operacional em zonas afectadas pela insurgência, especialmente na província de Cabo Delgado. Foram também detectadas movimentações em Zambézia, Nampula, Sofala, Manica e Maputo, envolvendo financiadores nacionais e estrangeiros.
A análise foi construída com base em 86 comunicações de operações suspeitas (COS), 403 comunicações de actividade suspeita (CAS) e cerca de três mil transferências de valor limite, além de relatórios de inteligência financeira. Entre os casos destacados, consta a utilização de contas de moeda electrónica, depósitos parcelados e transferências entre agentes de serviços móveis para dissimular os fluxos de recursos ilícitos.
Um episódio específico refere-se a uma instituição pública de ensino em Mocímboa da Praia, que terá recebido depósitos fraccionados durante o período em que o distrito esteve sob controlo de grupos terroristas. O relatório também menciona transacções entre um comerciante estrangeiro e um alegado líder de ataques naquela região, indiciando ligações directas entre o financiamento e a actividade insurgente. Segundo o Observador, o relatório do GIFiM foi divulgado num contexto de agravamento da violência no norte de Moçambique, apenas em 2024 foram registadas 349 mortes em ataques, um aumento de 36% face a 2023. O documento conclui que o financiamento terrorista no país combina canais formais e informais, o que exige maior coordenação interinstitucional, reforço da supervisão e cooperação internacional reforçada para interromper o fluxo ilícito de recursos e proteger o sistema financeiro moçambicano.
