Relatório do GIFiM Aponta Envolvimento de Funcionários Públicos no Financiamento ao Terrorismo

Relatório do GIFiM Aponta Envolvimento de Funcionários Públicos no Financiamento ao Terrorismo

Segundo informação veiculada pelo MZNews, o Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (GIFiM) revelou, no seu Relatório de Análise Estratégica, que entre os suspeitos de envolvimento em esquemas de financiamento do terrorismo constam funcionários públicos, além de comerciantes, organizações sem fins lucrativos e empresas privadas.

De acordo com o documento, as transacções suspeitas foram realizadas por meio de depósitos e levantamentos em numerário, bem como transferências fragmentadas, um método típico de dissimulação da origem e do destino dos fundos ilícitos. As movimentações ocorreram em zonas afectadas pela insurgência armada, com destaque para as províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, mas também se estenderam a outras regiões do país, revelando um padrão nacional de risco financeiro e operacional.

O relatório indica ainda que alguns dos suspeitos utilizavam contas de familiares e empresas de fachada para introduzir fundos no sistema financeiro, de modo a evitar a detecção pelas autoridades de supervisão e investigação. Essa prática demonstra o nível de sofisticação e infiltração das redes de financiamento terrorista, que se aproveitam de lacunas nos mecanismos de controlo e reporte.

O GIFiM reconhece que os controlos internos e as capacidades técnicas do sistema financeiro moçambicano permanecem insuficientes para monitorizar eficazmente operações de alto risco, especialmente quando envolvem agentes públicos, que, em princípio, deveriam estar sujeitos a maior escrutínio e padrões de integridade reforçados.

Conforme observa o MZNews, estas conclusões adicionam complexidade ao combate ao terrorismo e ao branqueamento de capitais em Moçambique, ao sugerirem a possibilidade de contaminação institucional e de colaboração interna involuntária ou dolosa com redes criminosas. O relatório defende, por isso, investigações rigorosas, reforço das capacidades institucionais de controlo e supervisão e mecanismos eficazes de responsabilização dos agentes públicos eventualmente implicados.